Tela de prata

Nos deitamos na rede e ficamos olhando as estrelas. Em muitos momentos da vida, nossos gestos não passam de imitações patéticas daquilo que assistimos no cinema ou na televisão. Gostamos de simular aquela realidade, de trazer um pouco de sonho para o que convencionamos chamar de mundo real. Foi por esse motivo, acredito, que nos deitamos na rede e ficamos olhando as estrelas naquela noite de primavera. Não falávamos nada um para o outro, embora pudéssemos simplesmente dizer algo como “Estamos fazendo igualzinho a como se faz no cinema”, e “É mesmo, pensei a mesma coisa”, responderia ela antes de… Continue lendo | 2 comentários

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Morta de maçã

“Selma?” “Oi.” “Dalber acabou de me telefonar para dizer que está num motel com uma puta torta.” “Como é?” “Também não entendi direito, ele estava muito agoniado.” Selma se levantou rápido. “Mas o que você disse? Dalber num motel?” “É.” “E Marta?” “Pelo que entendi, não.” “Não o quê?” “Ela não estava lá.” “E que diabos Dalber estava fazendo num motel.” “Pô, o que você acha?”, eu disse pegando a chave do carro. “Caralho, você sabia de alguma coisa?” “Não.” “Pra onde você tá indo?” “O cara acabou de me ligar, tenho que ir lá.” “Pera, pra onde?” “Pro motel… Continue lendo | 5 comentários

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Testículos de bode e putas asiáticas

“Foi normal, nada demais”, ele respondeu. Eu havia lhe perguntado quais foram suas impressões a respeito do seu primeiro dia de malhação numa simpática academia que abrira há seis meses na rua de trás. “Conheceu alguém interessante?”, perguntei tentando esconder a insegurança. “Tinha um rapaz lá muito boa gente.” Aliviada por seu interesse não ter sido investido em alguém do sexo oposto, continuei: “Será que eu conheço?” A pergunta fazia sentido já que, conforme dei a entender no início do parágrafo, a academia localiza-se bem perto de onde moramos. “Talvez, é um bem grandão. Ele é profissional.” Pensei um pouco… Continue lendo | 4 comentários

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Mario, Luigi e o último dos escritores

Eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que as pessoas acreditam mais. Assim, especulo, tendo como base principalmente minha observação pessoal, que no geral acreditamos mais naquilo que tomamos conhecimento por último. Se uma determinada informação nos arrebata num dia, pode muito bem ser anulada no dia posterior por uma outra informação adversa. Naturalmente  — diria o leitor médio —, afinal, novas informações são mais confiáveis que informações antigas, visto o percurso evolutivo do pensamento humano. Gargalho. É o que eu faço: gargalho. Quantas boas idéias ficaram perdidas no tempo? O que chamam de “evolução de… Continue lendo | 1 comentário

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