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	<title>Bom pra burro &#187; Teses</title>
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		<title>Como um tema padrão</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 13:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante os preparativos para a formatura de medicina de um primo, ele chegou para mim e disse &#8220;Sabia que tem um designer gráfico na cidade cujo nome é igual ao seu?&#8221; A cidade a qual ele se referia era aquela que eu residia na época, Aracaju; e o nome era Bruno Barros, que, até então, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante os preparativos para a formatura de medicina de um primo, ele chegou para mim e disse &#8220;Sabia que tem um designer gráfico na cidade cujo nome é igual ao seu?&#8221; A cidade a qual ele se referia era aquela que eu residia na época, Aracaju; e o nome era Bruno Barros, que, até então, era como eu assinava meus trabalhos de design. Lembro que fiquei extremamente incomodado com a idéia de que numa pequena cidade como Aracaju havia um outro profissional do design que atendia pelo meu nome. Sério, estatisticamente falando, qual seria a real probabilidade disso? Então, por um tempo, voltei a assinar os meus trabalhos como B.O.B., iniciais do meu nome completo. Aos oito anos de idade eu desenhava um novo super-herói criado por mim (como o Capitão Linguiça, por exemplo) e prontamente assinava B.O.B. no canto do papel A4. Com o passar dos anos, as pessoas aprenderam a me chamar de Bob, mesmo que na assinatura eu escrevesse B.O.B. com pontos e tudo. Já no fim da adolescencia e trabalhando profissionalmente, passei a achar prudente usar uma assinatura menos jardim de infância e optei por fazer uso por extenso do meu nome, suprimindo apenas o do meio, Oliveira. Ficou, pois, Bruno Barros por alguns anos, até que eu tomei conhecimento do concorrente de mesmo nome por meio do meu primo. Então, como disse, voltei a adotar B.O.B. mesmo que a contragosto e tomado por rancor. Sim, eu poderia muito bem ter confrontado cara a cara meu algoz. &#8220;Quem diabos você pensa que é pra assinar por aí com meu nome?&#8221;, eu perguntaria encostando o dedo no seu tórax magro. &#8220;Mas, mas, mas Bruno Barros é o meu nome também&#8221;, ele diria. &#8220;Era!&#8221;, eu responderia seco. Ah, mas esse confronto seria tão desgastante e na época bateu uma preguiça enorme de levar esse embate à cabo. Pouco tempo depois de retomar o B.O.B., vim morar no Rio de Janeiro a fim de dar início a uma carreira acadêmica paralela à de mercado. De início, fiquei tranquilo em poder retomar meu Bruno Barros e as memórias da duplicata aracajuana começaram a sumir como resfriado em dia de sol. No entanto, para a minha completa estupefação, descobri recentemente que temos um outro Bruno Barros designer gráfico residindo e atuando no Rio de Janeiro. Isso mesmo, um terceiro Bruno Barros atuando na área de design. Esse tem até <a title="Bruno Barros carioca" href="http://www.brunobarros.com/" target="_blank">site com portfolio</a> e segundo <a title="A idade da duplicata" href="http://www.brunobarros.com/BrunoBarros_curriculo.pdf" target="_blank">seu currículo</a> é mais velho que eu, o que me coloca numa posição de submissão angustiante, já que o Sr Tempo o legitima. Ferido, mas sem ânimo para me desgastar demais com o duro golpe, logo decidi me redimir com o Oliveira e retoma-lo à assinatura por meio de abreviação, que ficou Bruno O. Barros. Será, portanto, apenas a fragilidade desse O. que me separa dessas duplicatas? Quem são, afinal, esses outros Bruno Barros? Por que diabos são todos designers? A sensação que dá é a de que eu sou um avatar padrão, desses prontos quando você cria uma conta num site ou num fórum qualquer; ou pior, que eu sou um daqueles temas padrões que o Google oferece quando você cria um blog no <a title="Blogger" href="http://www.blogger.com/" target="_blank">Blogger</a>. A fim de terminar minha vida longe dessas cópias, preciso focar na sequência inimitável, no bom e velho B.O.B., seja por extenso ou assim, por redução. Basta de Bruno Barros! Nunca se sabe quando um desses vai aparecer para te oferecer serviços de design. Fica a certeza, porém, de que B.O.B. só há um, pelo menos até a próxima má notícia.</p>
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		<title>Medo, meda e zumbis</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 01:40:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje é chique ter medo. Para ser mais preciso, é essencialmente classe-média. Ter medo é reforçar a presença do inimigo, seja este um político liberal, um preto pobre que cruza a rua ou um novo vírus cujo único remédio eficaz é encontrado exclusivamente em hospitais públicos. Hoje, medo é combustível; dá um propósito, uma direção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje é chique ter medo. Para ser mais preciso, é <a title="Classe Média Way of Life" href="http://classemediawayoflife.blogspot.com/2009/09/dica-027-ter-medo.html" target="_blank"><em>essencialmente</em> classe-média</a>. Ter medo é reforçar a presença do inimigo, seja este um político liberal, um preto pobre que cruza a rua ou um novo vírus cujo único remédio eficaz é encontrado exclusivamente em hospitais públicos. Hoje, medo é combustível; dá um propósito, uma direção à vida das pessoas. Sem medo, imagine só, o que fariam? Ó liberdade lancinante que ninguém quer é essa a de ser invulnerável ao medo. Sim, o medo vicia. Uniformiza. Acomoda. E as pessoas têm medo de tudo. De um lado, é medo de errar, de ser tolo, de envergonhar-se; do outro, é medo de ser roubado, estuprado e queimado vivo na viela de um bairro pobre, onde estão eles, os inimigos. É tanto medo que o próprio significado que preenche a palavra medo se esvaziou. Hoje, há quem tenha medo como se respira. Virou parte do que a pessoa é. E é aí que complica, se as pessoas viraram medo e o medo pôs-se a ser as pessoas, onde fica aquele medo inocente, aquele que não é vício, o medo do filme de monstro, o medo da altura, por exemplo? Esse já não é mais medo, é outra coisa. O genitor da palavra, Medus — filho de Ares e Afrodite e irmão de Terror —, partiu-se em dois. Um é o Medus médio, covarde e que ainda atende pelo nome de medo; o outro é o Medus duplicado, pulsante, real, é o meda.</p>
<p>O meda é o que sobrou de digno do medo. É o meda que devemos levar no bolso para onde quer que vamos. É ele que nos faz discernir a diferença entre passear de trem-fantasma e jogar-se do quinto andar. O medo, por sua vez, só merece desprezo. Na maioria absoluta dos casos, o medo é maior que o perigo que lhe motiva a existência. Na prática, a sensação de insegurança sempre é maior que a violência em si. É mais inteligente sentir meda de zumbi que medo de ser roubado, pois é o medo que, de fato, lhe come o cérebro. Minha mãe costuma dizer que minha avó costumava dizer que quem tem medo se enterra vivo. Mas agora que o medo virou ópio e o meda uma fagulha da razão, vou além e afirmo: Quem tem medo se enterra vivo e quem tem meda pega uma doze de cano curto e abre caminho na maré de mortos-vivos até a cidade mais próxima.</p>
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		<title>&#8220;Lê a Bíblia e perde a fé.&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 02:33:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acreditar em Deus e achar que ele tem alguma coisa a ver com a Bíblia é associá-lo a uma série de genocídios em massa, estupros e outros tipos de perversões. O número de pessoas assassinadas por Deus no Velho Testamento é de causar inveja a muito super-vilão por aí, e não podemos ignorar que muitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acreditar em Deus e achar que ele tem alguma coisa a ver com a Bíblia é associá-lo a uma série de genocídios em massa, estupros e outros tipos de perversões. <a title="Gráfico" href="http://www.wired.com/table_of_malcontents/2007/04/old_testament_m/" target="_blank">O número de pessoas assassinadas por Deus no Velho Testamento</a> é de causar inveja a muito <a title="Dr Evil" href="http://www.solarnavigator.net/films_movies_actors/film_images/Austin_Powers_Mike_Myers_as_Dr_Evil.jpg" target="_blank">super-vilão</a> por aí, e não podemos ignorar que muitas dessas pessoas eram inocentes. Aí eu fico me perguntando, como diabos alguém ainda diz que a Bíblia pode servir como fonte de moralidade para alguma coisa? Por que há quem justifique suas escolhas dizendo que &#8220;a Bíblia manda&#8221;?</p>
<p>Basta uma pesquisa informal com familiares, amigos e conhecidos para atestar que a popularidade da Bíblia não é das maiores. Quase ninguém a lê. E das pessoas que o fazem, podemos identificar duas diferentes categorias de leitores: a) crentes (no sentido lato da palavra) que se apegam às passagens clássicas, geralmente do Novo Testamento; b) estudiosos, curiosos e críticos dispostos a encarar uma leitura analítica do livro. Essa segunda categoria, por sua vez, comporta uma variedade de tipos, desde a adolescente em crise existencial após ter sido <a title="Ôba!" href="http://www.instablogsimages.com/images/2008/09/16/lesbian_kiss_NFGfQ_19278.jpg" target="_blank">acariciada por sua melhor amiga</a> depois daquela noite regada à vinho, até o ateu que dedica sua vida a buscar <a title="Melhor Bíblia do mundo" href="http://skepticsannotatedbible.com/" target="_blank">contradições nos textos</a> e o pastor mal intencionado que estuda o <a title="Satanás!" href="http://maloqueiroesofredor.files.wordpress.com/2009/08/capaistoe.jpg" target="_blank">melhor método</a> de manipular seu público.</p>
<p>Semana passada, José Saramago — o meu <a title="Melhor que Deus" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bezerro_de_ouro" target="_blank">bezerro de ouro</a> — <a title="Esquerda.Net" href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=13853&amp;Itemid=28" target="_blank">disse</a> que &#8220;a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana.&#8221; Dentro dessa lógica e levando em conta que a Bíblia é o livro de cabeceira de todo e qualquer cristão, o físico <a title="Weinberg" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Steven_Weinberg" target="_blank">Steven Weinberg</a> conclui tal reflexão afirmando que &#8220;a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas ruins fazendo coisas ruins. Mas, para que as pessoas boas façam coisas ruins, é preciso a religião.&#8221; Ambos homens são vencedores do prêmio Nobel, cada um na sua competência. Ambos identificam que a moralidade contida na Bíblia causa muito mais mal do que bem. E ambos acreditam que basta ler a Bíblia para se dar conta de que há algo muito errado ali. Nas palavras de Saramago, &#8220;lê a Bíblia e perde a fé.&#8221;</p>
<p>Eu sei que nesse exato momento tem alguém lendo esse texto e dizendo &#8220;como é idiota o autor desse site, todo mundo sabe que não devemos interpretar a Bíblia ao pé-da-letra, há muita alegoria e simbologia entre os livros bíblicos.&#8221; Sem dúvida, essa é a maior desculpa dada pelos religiosos que vêem a Bíblia como representante da palavra de Deus. É uma desculpa que, na verdade, subverte o famoso dizer de que Deus escreve certo em linhas tortas; se a Bíblia for mesmo alegórica, temos um Deus que escreve torto em linhas certas. Além disso, quais são os critérios que determinam o que é literal e o que é alegórico na Bíblia? Quem decide o que deve ser seguido literalmente e o que deve ser reinterpretado? A Igreja? O Governo? O pastor da esquina? Seu professor de religião? A resposta é simples: já que Deus foi preguiçoso e enigmático o suficiente para não deixar um manualzinho ensinando como ler seu bagunçado e enfadonho livro, quem acaba decidindo o que é alegórico e o que é literal é a conveniência de quem lê. Os homofóbicos, por exemplo, interpretam literalmente que Deus vê o homossexualismo como uma abominação (<a title="Ser viado é abominável?" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/lv/18" target="_blank">Levítico, capítulo 18, versículo 22</a>), mas interpretam metaforicamente que Ló tenha feito sexo e engravidado suas duas filhas (<a title="Ló come as filhas!" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/19" target="_blank">Gênesis, capítulo 19, versículos 30 ao 38</a>).</p>
<p>Portanto, a Bíblia acaba sendo interpretada como convém ao leitor — o que é extremamente perigoso. E se se você não lê a Bíblia, uma outra pessoa vai interpretá-la por você — o que é mais perigoso ainda! Eu estou convencido de que, de modo geral, a moral bíblica é porca e destrutiva. E é uma pena que o superestimado Jesus manche a sua imagem ao confirmar e apoiar os ensinamentos sanguinários do Velho Testamento (<a title="&quot;Tudo bem o que Eu fiz no passado...&quot;" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/5" target="_blank">Mateus, capítulo 5, versículo 17</a>). É muito comum que as pessoas citem as melhores passagens de Jesus e que interpretem essas passagens literalmente. Já as passagens onde Jesus revela-se tão vingativo quanto seu Pai, acabam sendo deixadas de lado e interpretadas como alegorias (<a title="Agora é alegoria, né..." href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/5" target="_blank">Mateus, capítulo 5, versículo 27 ao 32</a>). No entanto, seria no mínimo estranho que, em seu Sermão da Montanha, Jesus misturasse orientações objetivas com alegorias aterrorizantes sem qualquer critério. Para alguém que falava tão bem, tratar-se-ia de uma estratégia retórica paupérrima.</p>
<p>Pra quem sabe inglês, recomendo a leitura online da <a title="Em inglês..." href="http://skepticsannotatedbible.com/" target="_blank">Skeptic&#8217;s Annotated Bible</a>, cujo site promove debates interessantes entre cientistas e cristãos em torno de questões controversas da Bíblia. No Brasil, temos a <a title="Em português..." href="http://www.bibliadocetico.net/" target="_blank">Bíblia do Cético Comentada</a>, que é bastante incompleta, mas é uma solução para os monoglotas.</p>
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		<title>Juliana Alves é negra e capa da Playboy!</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 13:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Juliana Alves, a única ex-BBB que deu certo mesmo (se você considerar que Grazi não sabe mesmo atuar), vai ser a capa da Playboy desse mês e até agora não vi nenhum portal de notícias alertando para o seguinte fato: ela é negra. Eu gostaria de poder dizer que esse silêncio calculado é um mistério, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Juliana Alves" href="http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1321503-9798,00-VEJA+A+CAPA+DA+REVISTA+PLAYBOY+DE+JULIANA+ALVES.html" target="_blank">Juliana Alves</a>, a única ex-BBB que deu certo <em>mesmo</em> (se você considerar que Grazi não sabe <em>mesmo</em> atuar), vai ser a capa da Playboy desse mês e até agora não vi nenhum portal de notícias alertando para o seguinte fato: ela é negra. Eu gostaria de poder dizer que esse silêncio calculado é um mistério, mas não dá, eu tenho uma hipótese que pode explicá-lo.</p>
<p>Antes de mais nada, muitos devem se perguntar, &#8220;Mas para que diabos noticiar que ela é negra?&#8221; A resposta simples é que num país em que a Playboy tem 56 anos de existência, e quase 700 números lançados, essa é a segunda vez que uma mulher negra será capa da revista. A primeira foi em 1996, com <a title="Isabel Filardis" href="http://baixeplayboygratis.blogspot.com/2008/07/playboy-isabel-fillardis-pedido.html" target="_blank">Isabel Filardis</a>. Ou seja, é um número no mínimo pavoroso para um país em que parte expressiva da população é efetivamente negra. &#8220;Mas ressaltar esse fato não é uma forma velada de racismo?&#8221; Não! Falar sobre racismo <em>não</em> é racismo. Essa noção de que não devemos falar certas coisas, pois se o fizéssemos estaríamos sendo racistas é a forma mais eficiente de contribuir com o <a title="Obrigado, Alex de Castro!" href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/06/o_problema_do_brasil_e_a_falta_de_confli/" target="_blank">racismo silencioso</a> que existe no Brasil — afinal, <a title="Obrigado de novo, Alex." href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/15/sem_a_ds/" target="_blank">sem discussão sobre as cotas, como saberíamos quem é racista?</a></p>
<p>Infelizmente, esse racismo é difundido como um não-racismo por figurões da grande mídia brasileira. Esse é o caso de Ali Kamel e seu livro <a title="Não??" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1654423/nao+somos+racistas/?franq=136855" target="_blank">Não somos racistas</a>. Kamel é, simplesmente, o diretor-chefe da Central de Jornalismo da Rede Globo (é tanto poder que aposto que ele tem o seu próprio <a title="Mini-mim" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZhnSNnaqq-g/R5Z-B8RGQtI/AAAAAAAAAHM/rq7V1bb083c/s400/mini_me.jpg" target="_blank">mini-mim</a>) e em seu popular livro traz um <a title="OK, chega de citar Alex!" href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/03/31/o_pior_racismo_e_o_do_negro_contra_o_neg/" target="_blank">discurso</a> que só reforça a noção de que somos uma nação igualitária, sem raças e que falar em racismo é, em si, racista. Ah, tá bom, vamos ficar calados então e esperar que a desigualdade brutal que se enxerga a olho nu se resolva por conta própria. Por seleção natural, talvez.</p>
<p>E enquanto ninguém tem coragem de falar que Juliana Alves é a segunda negra a ser capa de uma revista masculina mensal que existe desde 1975, terminemos esse post com <a title="Até tu, Brutus?" href="http://farm4.static.flickr.com/3127/3099447182_9d6129aff3_o.jpg" target="_blank">uma ironia suprema</a>.</p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save"><img src="http://www.bompraburro.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>O hímen e a sexualidade de Nossa Senhora</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 20:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, dia 30 de Setembro, celebramos 4 anos da publicação dos cartuns de Maomé num jornal dinamarquês que ninguém sabia que existia até então. O mundo religioso resmungou numa celeuma sem fim durante meses, até que a Dinamarca pedisse desculpa pelo &#8220;erro&#8221;. Faz 4 anos, portanto, que o dia de hoje é oficialmente chamado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, dia 30 de Setembro, celebramos 4 anos da publicação dos cartuns de Maomé num jornal dinamarquês que ninguém sabia que existia até então. O mundo religioso resmungou numa celeuma sem fim durante meses, até que a Dinamarca pedisse desculpa pelo &#8220;erro&#8221;. Faz 4 anos, portanto, que o dia de hoje é oficialmente chamado de <a title="Dia Internacional da Blasfêmia no Facebook" href="http://www.facebook.com/pages/Blasphemy-Day-International/143655943748" target="_blank">Dia Internacional da Blasfêmia</a>. Pelo menos — como os negros, mulheres, índios e árvores — ganhamos um dia oficial. Um dia que serve para nos lembrar que a religião (seja ela qual for) não merece mais respeito que qualquer outro tipo de crença. Em outras palavras, Jesus Cristo merece tanto respeito quanto Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa ou o Lobisomem. Crença é crença e nenhuma é melhor que a outra. Se é aceitável falarmos determinadas coisas a respeito da existência de seres extraterrestres, também o é a respeito do Jesus bíblico.</p>
<p>Então, passeando entre <a title="Portal Ateu" href="http://www.portalateu.com/2009/09/30/30-de-setembro-dia-internacional-da-blasfemia/" target="_blank">blogs </a>que estão homenageando o dia de hoje, dei de cara com uma <a title="Psss, não conte pra ninguém!" href="http://farm4.static.flickr.com/3462/3305399941_8d2ed33940_o.gif" target="_blank">imagem hilária</a>, mas que me fez refletir verdadeiramente sobre o assunto. Maria supostamente teria dado à luz Jesus, que na verdade nunca foi seu filho, já que Jesus é filho unicamente de Deus e Maria teria sido nada mais que o meio pelo qual Deus colocou Jesus na Terra; ou seja, uma tipo de <a title="Barriga de aluguel" href="http://www.youtube.com/watch?v=Edgl1uLWzuA" target="_blank">barriga de aluguel</a> que tornou-se mãe adotiva. É engraçado pensarmos na possibilidade de Deus ter precisado de Maria para tal, já que o Senhor tinha o poder de transformar barro em homem e costela em mulher sem precisar barriga alguma, e talvez tenha sido a dificuldade de explicar isso que levou a tradição cristã a elevar a figura de Maria a algo muito maior que seu papel nos evangelhos (bastante limitado) e supor que Deus escolheu conceber Jesus como um ser humano comum a fim de dar um significado ambíguo à sua existência (já que de comum Jesus não tinha nada; não é qualquer um que ressuscita os mortos) e depositar um fardo calculado ou profético nas costas de uma determinada Maria. De qualquer modo, não fujamos do tema. Não é a figura mítica de Jesus que questiono aqui (farei isso em outras ocasiões), mas a virgindade de Maria. E pra mostrar que esse é o tema central do post, vou até mudar de parágrafo.</p>
<p>Primeiro, é importante lembrarmos que tem muita gente por aí que se diz cristã, mas que relativiza a virgindade de Maria e esquece que fazer isso é questionar um dos pontos-chave do que faz Jesus ser especial: ele é filho de Deus, e só de Deus, e a maior prova material disso é que ele nasceu de uma mulher virgem. Eu não entendo cristãos do tipo &#8220;Tanto faz se Maria era virgem, não importa como Jesus nasceu&#8221;, quando, na verdade, o nascimento de Jesus é um dos pontos centrais do seu personagem. Para você acreditar em Jesus, é necessário acreditar na concepção virginal, caso contrário, você não acredita em Jesus, mas apenas num homem chamado Jesus que nasceu no Oriente Médio em algum momento entre 6 a.C. e 6 d.C., que profetizou algumas coisas bacanas, foi preso por formação de quadrilha e morto pelo exército romano. E só. O Jesus bíblico é outro. É o Jesus que dá origem à designação &#8220;cristão&#8221;, o Jesus que nasceu de uma virgem. &#8220;Tá certo, tá certo&#8221;, diz o cristão contemporâneo, &#8220;você me convenceu que Maria era virgem quando Jesus nasceu&#8230; mas ela pode ter perdido a virgindade depois, afinal ela era casada.&#8221; E eu respondo: Errado! A não ser que você <em>não</em> aceite Maria como a grande santa da Igreja Católica, ela morreu virgem e foi levada aos céus de corpo e alma. Inclusive, o fato de ter morrido virgem foi uma das características que conferiram à Maria o título de santa mãe de todas as santas. Ela, para o cristianismo, nasceu e morreu virgem. Virgem mesmo. Com selinho e tudo.</p>
<p>Acabamos, portanto, de entrar numa questão interessante. O que é virgindade? Maria era considerada virgem quando teve Jesus, mas essa era apenas uma virgindade médica? Afinal, tecnicamente falando, a mulher só perde a virgindade com o rompimento do hímen e por muitos e muitos anos essa foi a noção de virgindade corrente na sociedade. Não há muito tempo, os homens precisavam ver o sangue escorrendo da vagina da mulher na noite de núpcias. O sangue matava aquela pulga atrás da orelha, era a prova de que sua mulher era imaculada, que não havia sido tocada por mais ninguém. Aí eu fico me perguntando, os homens não pensavam por nenhum momento &#8220;Será que ela já chupou uma rola?&#8221; Segundo o grande Bill Clinton, sexo oral não é sexo e pronto. <a title="Liberal, Libertário, Libertino" href="http://www.interney.net/blogs/lll/" target="_blank">Alex de Castro</a>, por outro lado, costuma relativizar a questão: lamber uma mulher de cima a baixo, sem penetrar nada, é sexo? Chupar o dedão do pé da sua companheira durante horas é sexo? Sexo anal é sexo? Afinal, o que é sexo para quem prega a virgindade de Maria? Na verdade, a pergunta é circular: o que é virgindade para quem prega a virgindade de Maria? É a virgindade médica, a do hímen, ou é a virgindade do dedão chupado?</p>
<p>Se, em algum momento, o carpinteiro José tivesse masturbado-a fazendo uso das mãos , ela ainda poderia conceber Jesus? E se algum amigo de José penetrasse-a no ânus enquanto ela fazia sexo oral no noivo, isso a desqualificaria como barriga de aluguel do filho do Senhor? São questões complexas. Ou devemos supor que Maria não tinha sexualidade, que ela não tinha desejos, que ela nunca se imaginou fazendo sexo com dois caras ou, pelo menos, com o seu marido fazendo sexo oral nela numa daquelas noites quentes do Oriente Médio? Se Maria não tinha sexualidade, não é de se estranhar que o personagem José suma logo após as primeiras páginas de cada um dos quatro evangelhos não-apócrifos.</p>
<p>O mais interessante é que se considerarmos que o cristianismo supõe uma Maria assexuada e tecnicamente virgem, fica difícil entender como o hímen manteve-se intacto mesmo após o nascimento do pequeno Jesus. Seria fisicamente impossível que Jesus atravessasse o hímen da mãe sem rompê-lo. &#8220;Mas para o Senhor, não há limites&#8221;, um cristão qualquer diria. A questão, porém, é que se Deus teria <em>conscientemente</em> submetido Jesus a um nascimento comum, porque diabos ele faria uso de seus grandes poderes para preservar o hímen de Maria? Imagine só, no momento em que Maria estava parindo, Deus tinha que fazer com que o corpo de Jesus ultrapassasse magicamente o hímen da mãe, sem feri-lo. Sim, parece uma tarefa fácil para o Deus bíblico, mas, ao mesmo tempo, soa contraditório ao seu suposto desejo de que Jesus passasse por tudo aquilo que um ser humano comum passaria.</p>
<p>Essas são questões pelas quais todos os cristão deveriam refletir antes de rezar pela Virgem antes de dormir.</p>
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		<title>Aos bucaneiros, tudo!</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 19:55:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<category><![CDATA[chororô]]></category>
		<category><![CDATA[Fred Quatro Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Lily Allen]]></category>
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		<description><![CDATA[Se na Inglaterra o chororô veio de Lily Allen, aqui no Brasil vem de Fred Quatro Zero&#8230; hã? Fred Quem? Fred Quatro Zero é vocalista do Mundo Livre S/A, banda de Recife, uma das filhas do manguebeat e que acabou de dar sinais de cansaço nessa última entrevista do seu vocalista ao site da Globo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se na Inglaterra o <a title="Mimimi" href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1304826-7085,00-LILY+ALLEN+CRITICA+ARTISTAS+A+FAVOR+DO+COMPARTILHAMENTO+DE+MUSICAS+NA+WEB.html" target="_blank">chororô</a> veio de Lily Allen, aqui no Brasil vem de Fred Quatro Zero&#8230; hã? Fred Quem? Fred Quatro Zero é vocalista do Mundo Livre S/A, banda de Recife, uma das filhas do <a title="O movimento que não morre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manguebeat" target="_blank">manguebeat</a> e que acabou de dar sinais de cansaço nessa última entrevista do seu vocalista ao site da Globo.</p>
<p>Lily Allen, que teve sua curta carreira construída a partir da liberdade da Internet, de uns tempos pra cá resolveu fazer um blog chamado <a title="It's Not Alright" href="http://idontwanttochangetheworld.blogspot.com/" target="_blank">It&#8217;s Not Alright</a>, onde criticava aquilo que ela considera download ilegal de música. No blog, Sra Allen atirava para todos os lados, criticando a postura do Radiohead, por exemplo, que disponibilizou seu último álbum para download gratuito. O argumento da Sra Allen é que é fácil dar música de graça quando você já é um rockstar, mas que o download indiscriminado prejudica os artistas que estão começando. No entanto, a Sra Allen esquece que ela mesma é prova material do argumento inverso. Hoje a Sra Allen nem é tão grande e já se encontra num momento <a title="Cadê meu dinheiro?" href="http://creativegreenius.files.wordpress.com/2009/06/show-me-the-money.jpg" target="_blank">mimimi-cadê-meu-dinheiro</a>, assim como colossos como <a title="Cadê meu dinheiro?" href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/entertainment/7215226.stm" target="_blank">U2</a> e <a title="Cadê meu dinheiro?" href="http://www.guardian.co.uk/business/2009/sep/21/musicindustry-internetipos" target="_blank">Elton John</a>. Enquanto isso, o download livre permite que muitas bandas sem visibilidade dêem um pontapé inicial em suas carreiras. Os exemplos são inúmeros, mas como exemplo maior temos o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ma9I9VBKPiw" target="_blank">Arctic Monkeys</a> num âmbito mundial e, no Brasil, coisas como <a title="&quot;Vanguart&quot; de Mallu Magalhães" href="http://www.youtube.com/watch?v=JPg-bUWAKt8" target="_blank">Mallu Magalhães</a> (que, com vossa licença, adoro), <a title="&quot;O Mais Vendido&quot;, Mombojó" href="http://www.youtube.com/watch?v=aq4p44YTb9Y" target="_blank">Mombojó</a> (provavelmente nossa melhor banda na ativa) e <a title="&quot;Aonde quer chegar?&quot;, Moptop" href="http://www.youtube.com/watch?v=gepCkq0sZ5c" target="_blank">Moptop</a> (a melhor do Rio). E antes da Internet? Antes ou éramos obrigados a nos limitarmos ao cânone Titãs, Paralamas, Barão, etc., ou éramos punidos com coisas como <a title="Lixo" href="http://www.youtube.com/watch?v=UlwS1-d7oyo" target="_blank">isso</a>, <a title="Vômito" href="http://www.youtube.com/watch?v=6QKk5gU-CDI" target="_blank">isso</a> ou <a title="Fezes" href="http://www.youtube.com/watch?v=mss5imWQQCw" target="_blank">isso</a>. Não era fácil, acredite.</p>
<p>O fato é que a Sra Allen foi amplamente criticada e combatida (acho que essa é a expressão correta) em seu blog. Sem argumentos, irritada, fazendo bico e batendo o pé no chão, <a title="&quot;Fui. Vocês não merecem falar comigo nem com meu anjo&quot;" href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/celebridades/2009/08/26/218043-xuxa-se-irrita-com-criticas-a-sasha-e-abandona-o-twitter-fui.-voces-nao-merecem-falar-comigo-nem-com-meu-anjo" target="_blank">numa atitude muito parecida com a nossa Rainha dos Baixinhos</a>, a Sra Allen não só decide fechar o blog onde criticava a pirataria, quanto dá a atender que <a title="&quot;Não quero mais, seus bobos!&quot;" href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1316449-7085,00-LILY+ALLEN+ANUNCIA+EM+BLOG+QUE+NAO+VAI+MAIS+GRAVAR+DISCOS.html" target="_blank">desistiu da carreira musical</a>. Ha, ha, ha (com vírgula e tudo), quero ver se ela manterá essa opinião quando o dinheiro do pó começar a acabar. Por enquanto, ficamos com a <a title="Sinceramente, Dan Bull" href="http://www.youtube.com/watch?v=HL9-esIM2CY" target="_blank">estilosa carta de despedida</a> que o rapper Dan Bull fez para a Sra Allen.</p>
<p>E agora, do outro lado do atlântico, ficamos com o mimimi de um tal Fred Quatro Zero, que reclama da pirataria <a title="Politicagem?" href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1317603-7085,00.html" target="_blank">em entrevista</a> ao site da Globo. O fato dessa entrevista ter sido publicada pelo G1 tão perto do fuzuê da Lily Allen e seguida de <a title="Outra matéria" href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1317795-7085,00.html" target="_blank">outras matérias</a> sobre o combate à pirataria dá até medo&#8230; fico imaginando o que há debaixo dos cobertores. Vocês estão sentindo um certo <a title="Projeto Azeredo" href="http://ronaldodaros.com/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=58:proj-azeredo-mp3&amp;catid=34:news&amp;Itemid=2" target="_blank">cheiro de azeredo no ar</a>, ou sou só eu? Fred acusa os defensores da pirataria de culto ao tecnológico (?) e faz uso da patética analogia em que iguala o download livre ao roubo de comida numa feira, por exemplo. Se há algo nessa analogia que procede, certamente é o fato de que precisamos de música tanto quanto de comida, nada além disso. Quando você baixa uma música da internet, você não rouba nada. O suéco (sempre a Suécia) <a title="Karl Sigfrid, mais um sueco inteligente" href="http://www.riksdagen.se/webbnav/index.aspx?nid=1111&amp;iid=0469626830920" target="_blank">Karl Sigfrid</a> observa com sobriedade que é impossível roubar algo que seja infinito, como um arquivo MP3. Vide <a title="A Diferença!" href="http://4.bp.blogspot.com/_80934AU1t-s/SdE0k3CJmwI/AAAAAAAAGKQ/NwAyoBgov4A/s1600-h/the+difference.jpg" target="_blank">esse esqueminha</a> que demonstra as diferenças entre roubo, quebra de direito autoral, compartilhamento de arquivos e pirataria.</p>
<p>Outro argumento de Fred Quatro Zero é que o download indiscriminado prejudica a indústria fonográfica como um todo, do artista ao cara que serve o cafezinho durante as gravações. O argumento procede, mas soa como lamento. A tal indústria fonográfica está diante de um problema que ao invés de ser peitado (que é o que vem sendo feito até então), deveria ser usado como subsídio para a construção de um novo modelo de negócios. Em outras palavras, <em>o problema não é nosso</em>. Como foi dito por <a title="Silvio Meira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Silvio_Meira" target="_blank">Silvio Meira</a>, a Caixa de Pandora foi aberta e não dá mais para fechá-la. Cabe às gravadoras descobrirem novas formas de capitalização. Sem dúvida, a criação de portais de acesso gratuito às músicas dos artistas contratados seria um grande passo em direção à possibilidade de se capitalizar através de publicidade nesses sites.</p>
<p>Por fim, o argumento mais surpreendente de Fred Quatro Zero é  algo que nunca ouvi sair da boca de nenhum outro músico — talvez por vergonha de admitir ou por bom senso. Fred diz que agora que baixam suas músicas ilegalmente, ele precisa trabalhar para ganhar dinheiro (!). Taí uma realidade muito distante daquela do artista independente, <a title="Daniel, O Invisível, desempregado" href="http://www.danieloinvisivel.com/" target="_blank">como eu</a>, que vê a possibilidade de fazer shows como uma benção dos céus. Enquanto isso, Fred do Mundo Livre S/A simplesmente reclama do fato que agora ele precisa fazer shows para viver. Ele não pode mais simplesmente virar a bunda pra Lua e dormir durante 2 ou 3 anos de inércia em sua rede na varanda. De tão sincero, o respeito por isso, mas, mesmo assim, ofereço-lhe um foda-se capital. Talvez se o download de músicas tivesse existido desde a década de 70, hoje ainda teríamos shows de Chico Buarque, que, infelizmente, acomodou-se em sua rede na varanda e só sai para enviar o MP3 de <a title="Viver a Vida" href="http://www.youtube.com/watch?v=TOJf2B5ciic" target="_blank">uma música sua para Manuel Carlos</a>.</p>
<p>E dá-lhe dinheiro.</p>
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		<title>Aborto no cu dos outros&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 13:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teses]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
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		<description><![CDATA[Você é contra ou a favor do aborto? Pense bem a respeito disso. Até onde você está conjurando um discurso do Grande Outro, um discurso do seu eu ideológico e cego? A questão não é ser a favor ou contra o ato de abortar, mas ser a favor ou contra a criminalização deste. Eu sou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GG__qzp4Yhk" target="_blank">Você é contra ou a favor do aborto?</a> Pense bem a respeito disso. Até onde você está conjurando um discurso do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Lacan">Grande Outro</a>, um discurso do seu eu ideológico e cego? A questão não é ser a favor ou contra o ato de abortar, mas ser a favor ou contra a criminalização deste. Eu sou contra ler a Veja, mas nem por isso acho que quem o faz deva ser encaminhado à delegacia mais próxima.</p>
<p>A verdade é que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=GG__qzp4Yhk" target="_blank">a questão da criminalização</a> revela o inegável fato de que é fácil ser contra aquilo que não nos atinge. É como o cara que critica quem bebe&#8230; só porque não tem amigos legais o suficiente para levá-lo a um boteco depois do escritório.</p>
<p><a href="http://www.ipas.org.br/" target="_blank">Mais informações.</a><br />
<a href="http://ateaquitudobem.blogspot.com/2009/09/do-que-aconteceu.html" target="_blank">No cu dos outros.</a><br />
<a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2009/05/28/pr-escolha-pr-aborto/" target="_blank">Um olhar sobre o tema.</a></p>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save"><img src="http://www.bompraburro.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Mario, Luigi e o último dos escritores</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 13:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
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		<category><![CDATA[credibilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que as pessoas acreditam mais. Assim, especulo, tendo como base principalmente minha observação pessoal, que no geral acreditamos mais naquilo que tomamos conhecimento por último. Se uma determinada informação nos arrebata num dia, pode muito bem ser anulada no dia posterior por uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que as pessoas acreditam mais. Assim, especulo, tendo como base principalmente minha observação pessoal, que no geral acreditamos mais naquilo que tomamos conhecimento por último. Se uma determinada informação nos arrebata num dia, pode muito bem ser anulada no dia posterior por uma outra informação adversa. Naturalmente  — diria o leitor médio —, afinal, novas informações são mais confiáveis que informações antigas, visto o percurso evolutivo do pensamento humano. Gargalho. É o que eu faço: gargalho. Quantas boas idéias ficaram perdidas no tempo? O que chamam de “evolução de pensamento” nada mais é que um conceito arrogante e raso; uma forma de curvar-se ao que nos chega do <a title="Mestre em Design" href="http://lattes.cnpq.br/1336669495143969" target="_blank">Mundo Mágico da Academia™</a>. Peguemos a matemática como exemplo: poucas coisas são mais overrated que a matemática. Existe todo um auê ao redor da matemática e das ciências exatas no geral que me irrita profundamente. Não é incomum ouvir em discussões o clássico bordão: &#8220;É matematicamente provado que&#8230;&#8221;, ou &#8220;É cientificamente provado que&#8230;&#8221;. Errado! É cientificamente provado que 99% das pessoas que falam isso não sabem exatamente o que estão falando &lt; e, assim, <a title="Paradoxo taxonômico" href="http://www.bompraburro.com.br/2009/08/paradoxo-taxonomico/" target="_blank">o feitiço</a> volta-se contra <a title="Eu" href="http://www.google.com/profiles/meunomeebob" target="_blank">o feiticeiro</a> &gt;. É como se o fato de colocar a matemática ou a ciência no meio da conversa adicionasse legitimidade aos argumentos de um orador qualquer. Mais uma vez: <a title="Risada épica" href="http://www.youtube.com/watch?v=xMqHJrdXj0s" target="_blank">gargalho</a>.</p>
<p>Visto isso, afirmo: o fato de valorizarmos mais as novas informações se dá numa fé cega de que a ciência (ou, para ser mais justo, <a title="O café assassino" href="http://www.nacascadoovo.com.br/2008/07/na-casca-do-ovo-01/" target="_blank">o que nos chega dela</a>) necessariamente evolui. Ciência esta que já provou, milhares de vezes, ser absolutamente capaz de cometer as mais estapafúrdias formas de tolices: como a invenção da esteira ergométrica (assunto que será abordado num outro post). No entanto, embora essa falta se senso crítico ou excesso de fé explique muito, dou-me o luxo de divagar um pouco mais sobre outros possíveis motivos dessa hipervalorização do conhecimento posterior.</p>
<p>Pensemos um pouco sobre o ato de querer acreditar no novo; na sede de caminhar para frente. Inúmeros estudiosos da modernidade — dos <a title="Peter Gay" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Gay" target="_blank">anglófonos</a> aos <a title="Gilles Lipovetsky" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Lipovetsky" target="_blank">francófonos</a> — aprofundaram-se na busca pelas características do homem moderno; e destas, sem dúvida, uma das mais unanimemente citadas é a efemeridade; a busca pelo novo (em oposição ao caráter conservador dos povos orientais durante o mesmo período). Extrapolemos essa noção propondo que caminhar para frente, ou progredir, está fisicamente relacionado ao ato de caminhar da esquerda para a direita e que é comum ao ser humano entender o progresso desta forma. É só lembrar que é esse o sentido da rotação da Terra; do relógio; o sentido em que que Mario e Luigi percorrem em suas aventuras para salvar o <a title="Cogumelos Mágicos" href="http://www.cogumelosmagicos.org/" target="_blank">Reino dos Cogumelos</a> das garras do <a title="Bad trip" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bad_trip" target="_blank">malvado Bowser</a>.</p>
<p>Um outro elemento importantíssimo que sugere um progresso no sentido esquerda-direita é a escrita. Neste caso, a escrita ocidental (chegamos, pois, ao cerne do texto). Desta forma, pode-se fazer um paralelo entre a sede de mudança que marcou (<a title="Yes, we can!" href="http://www.barackobama.com/" target="_blank">ou marca?</a>) a modernidade do mundo ocidental e sua escrita, onde a última palavra é acompanhada do ponto final: o ponto decisivo que representa o fim, a verdade absoluta. E assim pensam os ocidentais, onde cada palavra lida é mais verdadeira, mais evoluída e mais próxima da verdade que a anterior.</p>
<p>Já a forte paixão pelas tradições que caracteriza (<a title="Speed Racer é Elvis?" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_Racer#Westernized_appearance_of_characters" target="_blank">ou caracterizou?</a>) a maioria dos povos orientais poderia ser refletida na forma como estes escrevem e lêem: da direita para esquerda. Contrária ao movimento de rotação do planeta. Contrária até ao andar dos Marios e Luigis italianos que eles mesmos criaram. E assim se enraiza o tradicionalismo oriental: numa busca pelo passado; num entendimento de mundo em sentido inverso àquele que a ocidentalidade nos induz a viver; no auto-conhecimento.</p>
<p>Como já disse, eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que acreditamos mais.</p>
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		<title>Sexo fácil (favor não comer esse post)</title>
		<link>http://www.bompraburro.com.br/2009/08/sexo-facil-favor-nao-comer-esse-post/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 13:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teses]]></category>
		<category><![CDATA[Lacan]]></category>
		<category><![CDATA[Liquid Sense]]></category>
		<category><![CDATA[poção]]></category>
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		<description><![CDATA[Numa dessas madrugadas, assistindo a um canal que eu nem sabia que existia, tomei conhecimento daquilo que está entre as coisas mais &#60; sugerir adjetivo inopinado aqui &#62; que já tive a oportunidade de ver na televisão: o Liquid Sense. O produto em questão estava sendo vendido num daqueles programas que insistem que o telespectador não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa dessas madrugadas, assistindo a <a title="Mix TV" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/MixTV" target="_blank">um canal</a> que eu nem sabia que existia, tomei conhecimento daquilo que está entre as coisas mais &lt; <a title="Sugira seu adjetivo" href="http://www.bompraburro.com.br/2009/08/sexo-facil-favor-nao-comer-esse-post/#comments" target="_self">sugerir adjetivo inopinado aqui</a> &gt; que já tive a oportunidade de ver na televisão: o <a title="Liquid Sense" href="http://www.maisvantagens.com.br/produtos_descricao.asp?codigo_produto=5526" target="_blank">Liquid Sense</a>. O produto em questão estava sendo vendido num daqueles programas que insistem que o telespectador não pode perder aquela oportunidade supostamente única por meio de uma retórica tão <a title="Camp" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Camp_(style)" target="_blank">campy</a> e <a title="Kitsch" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kitsch" target="_blank">kitsch</a> que causam vergonha alheia em qualquer pessoa com o mínimo de instrução formal. Nele, um grupo de pessoas entrevistadas por uma apresentadora muito parecida com <a title="Carolyne Ferreira" href="http://img.terra.com.br/i/2009/08/11/1290228-1063-atm14.jpg" target="_blank">aquela do Sexy Hot</a> tinham seus rostos <a title="Medo" href="http://img.dailymail.co.uk/i/pix/2007/10_01/RileyS071007_468x492.jpg" target="_blank">pixelados</a>, a fim de esconder suas identidades — e, claro, manter a dignidade dos atores envolvidos na pilantragem.  O tal Liquid Sense é vendido como um perfume que, segundo o <a title="Mais Vantagens" href="http://www.maisvantagens.com.br/produtos_descricao.asp?codigo_produto=5526" target="_blank">site da distribuidora</a>,  &#8221;é pura tecnologia, uma nova e revolucionária colônia que contém fragâncias atrativas, responsáveis pela atração.&#8221; No programa, os entrevistados corroboravam com a farsa, cuspindo narrativas sobre melhorias na vida sexual. O narrador, por sua vez, fazia questão de repetir factóides a respeito das <a title="Não tão intensas" href="http://msp137.photobucket.com/albums/q238/bxcuztie170/graphics/shit.jpg" target="_blank">intensas pesquisas científicas</a> que possibilitaram a existência do Liquid Sense.  O ponto alto foi quando uma entrevistada <a title="Obesidade mórbida" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Obesidade_m%C3%B3rbida" target="_blank">extremamente acima do peso</a> começou a gabar-se do fato de ter trocado seu marido frígido por um garotão da noite. Sei&#8230; E o que assusta nisso tudo é que tem quem caia nisso. Tem? <a title="Consumidor insatisfeito" href="http://falameufio.wordpress.com/2009/02/09/vendo-liquid-sense/" target="_blank">Tem</a>. De qualquer modo, qual é a infeliz constatação que a existência do Liquid Sense (e suas inevitáveis variantes) nos revela? Certamente o fato de que o ser humano está disposto a relacionar-se com outro por meio único e exclusivo de reações químicas — exatamente como a poção <a title="Amortentia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amortentia#Amortentia" target="_blank">Amortentia</a> no universo de Harry Potter. Aperta-se o botão ON, elimina-se o livre-arbítrio, os fatores subjetivos e pronto, aquela pessoa é seu fantoche. Para nossa sorte, a Amortentia é ficção e o Liquid Sense, uma farsa; e, assim, ficamos todos com <a title="O Real se perde no sexo" href="http://www.youtube.com/watch?v=ftwhzVgUhnk" target="_blank">a hipótese de Lacan</a>.</p>
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		<title>Saramago, Twitter, universitárias e a leitura</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 13:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno O. Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teses]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, vi num blog popular que José Saramago, em entrevista ao Globo, fez a seguinte observação a respeito do Twitter: &#8220;Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.&#8221; Claro, não demorou que a frase de efeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, vi num <a title="A involução da escrita" href="http://buzz.globo.com/jacarebanguela/2009/08/20/a-involucao-da-escrita/" target="_blank">blog popular</a> que <a title="José Saramago no Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago" target="_blank">José Saramago</a>, em entrevista ao Globo, fez a seguinte observação a respeito do Twitter:</p>
<blockquote><p>&#8220;Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.&#8221;</p></blockquote>
<p>Claro, não demorou que a frase de efeito virasse motivo de debate no próprio Twitter e em listas de discussões via e-mail (sim, elas ainda existem), resultando em opiniões polarizadas: <a title="Mimimi!" href="http://www.thisblogisamovie.com/blog/wp-content/uploads/2009/01/bebe-chorao-pb.jpg" target="_blank">mimimis</a> e <a title="Manjador" href="http://3.bp.blogspot.com/_4bUHUQgOi3k/RhcXZnpPabI/AAAAAAAAAD8/aHizhwgfOfY/s320/manja.jpg" target="_blank">manjadores</a>. A maioria das pessoas esquecem que José Saramago é quase um centenário que mantém <a title="Blog do José Saramago" href="http://caderno.josesaramago.org/" target="_blank">um blog</a> atualizado por ele mesmo e numa freqüência incomum para pessoas com o seu perfil. A meu ver, isso já diz muita coisa sobre o homem. De modo geral, quando você é um escritor consagrado pelo Prêmio Nobel de Literatura, possui mais de 70 anos e tem livre acesso às partes íntimas de qualquer universitária de um dos seguintes cursos — jornalismo, letras, artes, publicidade, história, ciências sociais e variantes  —, você pode se dar o luxo de não ter um blog, oferecer o dedo médio para meio mundo e falar idiotices para jornais de grande circulação.  Mas, até onde eu sei, José Saramago tem, sistematicamente, aberto mão dessas tentações. Ou não? Ao mesmo tempo em que simpatizo com sua crítica aos 140 caracteres do Twitter, vejo nela a reclamação de um velho cabeça-dura, disposto a fortalecer <a title="Preocupação de Saramago" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u60992.shtml" target="_blank">sua tese</a> recorrente de que as pessoas lêem cada vez menos, quando, na verdade, é evidente que hoje em dia as pessoas lêem mais que a 10, 100 ou 1.000 anos atrás. O mundo nunca foi tão alfabetizado e, paralelamente, dominado por uma mídia essencialmente textual, como a Internet. Se antes as pessoas conversavam por horas na pracinha do seu bairro, hoje elas o fazem através da escrita e da leitura em suportes como os programas de bate-papo, redes sociais e celulares, através de mensagens SMS. Mensagens estas que deram origem ao Twitter. Até onde sei, a explicação técnica do limite de 140 caracteres do Twitter reside no fato de que suas mensagens podem — e, na verdade, foram projetadas para tal fim — ser enviadas via SMS; que, como sabemos, tem um limite de 160 caracteres (os 20 caracteres excedentes serviriam para acomodar o telefone do remetente). Portanto, reduzir uma limitação técnica a uma suposta tendência ao grunhido é tipicamente a hipótese de um homem que embora tenha um blog, não envia mensagens SMS. Nessa celeuma toda, o que me assusta mais não é quem escreve no Twitter (<a title="Meu Twitter" href="http://twitter.com/BrunoOBarros" target="_blank">como eu</a>), mas quem usa o Twitter como fonte primária de leitura. Certo, é uma contradição consentir com a escrita e criticar a leitura, mas suspeito que esta seja uma contradição que encontra eco na prática. <a title="Erro?" href="http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=8605" target="_blank">Hipotetizo</a> que, para a sorte da saúde mental do mundo, as pessoas escrevem mais no Twitter do que lêem o Twitter, tocando para frente a falsa sensação de que quem nos segue realmente liga para nós, quando, na verdade, <a title="Não tô nem aí" href="http://imagecache.allposters.com/images/pic/DES/D1423~Amazingly-Posters.jpg" target="_blank">não</a>.</p>
<p>Fiquemos, então, com um adendo: Jorge Luis Borges, no prólogo do seu <em>Ficções,</em> opina:</p>
<blockquote><p>&#8220;Desvario trabalhoso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de espraiar em quinhentas páginas uma idéia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos.&#8221;</p></blockquote>
<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save"><img src="http://www.bompraburro.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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