Author Archives: Bruno O. Barros

A preconceituosa mão de Deus

“Você é uma pessoa religiosa?”, ele me perguntou sem muita enrolação. “Não”, respondi seco. “Entendo”, ele disse enquanto acendia um cigarro, “mas acredita em Deus?” “Isso depende… o que Ele está alegando?” “Rá, rá!” Assim, pensei ter conquistado a simpatia do advogado. “Você sabe que minha filha é católica.” “Sei.” “E como fica essa sua flexibilidade religiosa no relacionamento.” “Confesso que nunca parei pra pensar nisso.” “Maria Clara perdeu a mãe faz pouco tempo.” “Ela me contou.” “As circunstâncias foram… sinistras”, ele disse olhando para a parede atrás de mim. Até onde eu sabia, o corpo da mãe de Maria… Continue lendo | 12 comentários

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O câncer dos outros

“Por exemplo”, respondi, “ontem mesmo eu estava lendo um conto de Arthur Bradford sobre um cara que só notou no segundo encontro que a sua atual ficante não tinha um dos braços.” No entanto, Elisa já não me ouvia mais e só chorava. No dia anterior tivemos uma conversa séria depois do jantar com os pais dela onde me foi revelado que a doença que a afligia era câncer. Hoje tomei café e quando Elisa mencionou o câncer, fiquei extremamente surpreso. Foi uma surpresa genuína, como se ela realmente não tivesse me contado sobre seu estado no… Continue lendo | 3 comentários

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Como um tema padrão

Durante os preparativos para a formatura de medicina de um primo, ele chegou para mim e disse “Sabia que tem um designer gráfico na cidade cujo nome é igual ao seu?” A cidade a qual ele se referia era aquela que eu residia na época, Aracaju; e o nome era Bruno Barros, que, até então, era como eu assinava meus trabalhos de design. Lembro que fiquei extremamente incomodado com a idéia de que numa pequena cidade como Aracaju havia um outro profissional do design que atendia pelo meu nome. Sério, estatisticamente falando, qual seria a real probabilidade disso? Então, por… Continue lendo | 7 comentários

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Medo, meda e zumbis

Hoje é chique ter medo. Para ser mais preciso, é essencialmente classe-média. Ter medo é reforçar a presença do inimigo, seja este um político liberal, um preto pobre que cruza a rua ou um novo vírus cujo único remédio eficaz é encontrado exclusivamente em hospitais públicos. Hoje, medo é combustível; dá um propósito, uma direção à vida das pessoas. Sem medo, imagine só, o que fariam? Ó liberdade lancinante que ninguém quer é essa a de ser invulnerável ao medo. Sim, o medo vicia. Uniformiza. Acomoda. E as pessoas têm medo de tudo… Continue lendo | 4 comentários

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