“Lê a Bíblia e perde a fé.”

Acreditar em Deus e achar que ele tem alguma coisa a ver com a Bíblia é associá-lo a uma série de genocídios em massa, estupros e outros tipos de perversões. O número de pessoas assassinadas por Deus no Velho Testamento é de causar inveja a muito super-vilão por aí, e não podemos ignorar que muitas dessas pessoas eram inocentes. Aí eu fico me perguntando, como diabos alguém ainda diz que a Bíblia pode servir como fonte de moralidade para alguma coisa? Por que há quem justifique suas escolhas dizendo que “a Bíblia manda”?

Basta uma pesquisa informal com familiares, amigos e conhecidos para atestar que a popularidade da Bíblia não é das maiores. Quase ninguém a lê. E das pessoas que o fazem, podemos identificar duas diferentes categorias de leitores: a) crentes (no sentido lato da palavra) que se apegam às passagens clássicas, geralmente do Novo Testamento; b) estudiosos, curiosos e críticos dispostos a encarar uma leitura analítica do livro. Essa segunda categoria, por sua vez, comporta uma variedade de tipos, desde a adolescente em crise existencial após ter sido acariciada por sua melhor amiga depois daquela noite regada à vinho, até o ateu que dedica sua vida a buscar contradições nos textos e o pastor mal intencionado que estuda o melhor método de manipular seu público.

Semana passada, José Saramago — o meu bezerro de ourodisse que “a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana.” Dentro dessa lógica e levando em conta que a Bíblia é o livro de cabeceira de todo e qualquer cristão, o físico Steven Weinberg conclui tal reflexão afirmando que “a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas ruins fazendo coisas ruins. Mas, para que as pessoas boas façam coisas ruins, é preciso a religião.” Ambos homens são vencedores do prêmio Nobel, cada um na sua competência. Ambos identificam que a moralidade contida na Bíblia causa muito mais mal do que bem. E ambos acreditam que basta ler a Bíblia para se dar conta de que há algo muito errado ali. Nas palavras de Saramago, “lê a Bíblia e perde a fé.”

Eu sei que nesse exato momento tem alguém lendo esse texto e dizendo “como é idiota o autor desse site, todo mundo sabe que não devemos interpretar a Bíblia ao pé-da-letra, há muita alegoria e simbologia entre os livros bíblicos.” Sem dúvida, essa é a maior desculpa dada pelos religiosos que vêem a Bíblia como representante da palavra de Deus. É uma desculpa que, na verdade, subverte o famoso dizer de que Deus escreve certo em linhas tortas; se a Bíblia for mesmo alegórica, temos um Deus que escreve torto em linhas certas. Além disso, quais são os critérios que determinam o que é literal e o que é alegórico na Bíblia? Quem decide o que deve ser seguido literalmente e o que deve ser reinterpretado? A Igreja? O Governo? O pastor da esquina? Seu professor de religião? A resposta é simples: já que Deus foi preguiçoso e enigmático o suficiente para não deixar um manualzinho ensinando como ler seu bagunçado e enfadonho livro, quem acaba decidindo o que é alegórico e o que é literal é a conveniência de quem lê. Os homofóbicos, por exemplo, interpretam literalmente que Deus vê o homossexualismo como uma abominação (Levítico, capítulo 18, versículo 22), mas interpretam metaforicamente que Ló tenha feito sexo e engravidado suas duas filhas (Gênesis, capítulo 19, versículos 30 ao 38).

Portanto, a Bíblia acaba sendo interpretada como convém ao leitor — o que é extremamente perigoso. E se se você não lê a Bíblia, uma outra pessoa vai interpretá-la por você — o que é mais perigoso ainda! Eu estou convencido de que, de modo geral, a moral bíblica é porca e destrutiva. E é uma pena que o superestimado Jesus manche a sua imagem ao confirmar e apoiar os ensinamentos sanguinários do Velho Testamento (Mateus, capítulo 5, versículo 17). É muito comum que as pessoas citem as melhores passagens de Jesus e que interpretem essas passagens literalmente. Já as passagens onde Jesus revela-se tão vingativo quanto seu Pai, acabam sendo deixadas de lado e interpretadas como alegorias (Mateus, capítulo 5, versículo 27 ao 32). No entanto, seria no mínimo estranho que, em seu Sermão da Montanha, Jesus misturasse orientações objetivas com alegorias aterrorizantes sem qualquer critério. Para alguém que falava tão bem, tratar-se-ia de uma estratégia retórica paupérrima.

Pra quem sabe inglês, recomendo a leitura online da Skeptic’s Annotated Bible, cujo site promove debates interessantes entre cientistas e cristãos em torno de questões controversas da Bíblia. No Brasil, temos a Bíblia do Cético Comentada, que é bastante incompleta, mas é uma solução para os monoglotas.

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30 Responses to “Lê a Bíblia e perde a fé.”

  1. Alexandra Freire says:

    Nunca tive dúvidas de que existem diversas interpretações da Bíblia e saber exatamente o que é literal e o que é alegórico não é tarefa fácil…E quem sabe? É por esses e outros motivos que não sou agnóstica, ateísta, católica, evangélica, entre outras…
    O maior perigo mesmo? É quando você não lê a Bíblia e permite que os outros a interpretem por você…e isso se chama religião…no frigir dos ovos…

  2. Diego Maynard says:

    É impressionante o fato de um livro como esse ter tantas “alegorias” onde ele deveria passar mensagens claras e objetivas.
    É difícil acreditar em algo que parece tão contraditório.

  3. Sandro says:

    Não concordo em gênero, número e grau (se é que grau flexiona) com o texto acima, e estou no meu direito, assim como vc de escrever tanta baboseira, acho que todos os que tentam reduzir a Bíblia a um livro “comum” esquece que Deus é SOBERANO e faz o que quiser quando e como e não deve satisfação para absolutamente ninguém. Se existe um “deus” e tudo o que existe foi criado por esse “deus”, então quem somos nós para dizer a ou b contra ele? Esse é o ponto. O que Ele fez ou deixou de fazer é problema dele, talvez nunca saberemos os motivos. E quer saber mesmo? desencana brou, vc está fazendo o seu papel escrevendo dessa forma. Um dia todos, TODOS, saberemos a verdade e aí os que se puseram contra Ele e a sua Verdade sentirão na “pele” que o jogo acabou…

  4. Alexandra Freire says:

    “Um dia…um dia saberemos a verdade” Fala sério! Então, se chegar esse dia, até lá temos todo o direito discutir e questionar TUDO QUE LÊMOS, VIVEMOS E ETC…e isso não é BABOSEIRA!

  5. Sandro says:

    Alexandra… desencana, pô parece que estamos numa guerra! Estamos?

  6. Alexandra says:

    Alôôôôôôôôô ? Que GUERRA?Quem és tu? Há um limite de comentários aqui?
    Tô na paz browwwwwwwwww……….
    Peace!!!!!!

  7. Kleber says:

    Sem dúvida o maior erro das pessoas é achar que podem interpretar a Bíblia como queiram, eu sou cristão, cristão por que sigo os ensinamentos de cristo, acredito na Bíblia como um todo, estudo-a todos os dia e dela absorvo orientações valiosas para minha vida, não discuto religião, a minha crença na Bíblia não se baseia exclusivamente na fé mais também na lógica, existem grandes provas de sua originalidade e uma delas é ela própria. Agora não sei quantos já pararam para pensar como a Bíblia foi escrita e por quem e em qual circunstância ela foi escrita, muitos acham que a Bíblia foi escrita por Deus, se Deus tivesse escrito a Bíblia com certeza Ele teria colocado as palavras de outra forma mais com um mesmo contexto ou a mesma mensagem escrita com outras palavras o único relato bíblico onde Deus escreveu alguma coisa sem ter a interferência do homem foi quando Ele escreveu os 10 Mandamentos em tábuas de pedra (Êxodo 31:18) fora esse episódio Deus inspirou o homem a escrever as suas mensagens essas mensagens muitas vezes foram através de visões, sonhos ou Deus mesmo falando a seus mensageiros, quem eram esses mensageiros? Homens, mulheres, ricos, pobres, homens cultos e homens simples, enfim pessoas de diversas épocas com diversos costumes e formas de interpretar essas mensagens. O contexto histórico e sobre quais circunstâncias a mensagem foi escrita influencia a sua interpretação e pode dar margem a uma interpretação pessoal principalmente quando se busca versos isolados ou seja um texto fora do seu contexto que envolve um estudo muito mais amplo do que simplesmente o que está escrito principalmente o no que se diz respeito ao velho testamento. A Bíblia é um livro maravilhoso sem dúvida, mais que é usado de forma indevida é um livro que não é estudado e que muitos usam seus textos para montarem suas crenças ou simplesmente a tem como amuleto, estudar a Bíblia não é começar a ler o Gênesis e ir até o Apocalipse ou só ler o antigo testamento ou somente o novo a Bíblia é um todo e o Gênesis está ligado ao Apocalipse. Questione a Bíblia e busque conhecer mais o que ela tem, busque respostas, você verá que ela mesma pode responder muitas das suas indagações sobre diversas perguntas. Experimente.

  8. Bruno O. Barros says:

    Kleber,

    O problema é: se não podemos interpretar a Bíblia como bem entendemos, quem pode? Instituições como a ICAR? Teólogos? Quer dizer que a Bíblia é para poucos?

    É evidente que o contexto histórico influenciou a escrita da Bíblia. Por que, então, devemos vê-la como uma fonte de moral até hoje? A Bíblia está repleta de exemplos que hoje consideramos absolutamente imorais. Se Deus teve algo a ver com a escrita da Bíblia, por que ele não aproveitou o fato dela ter sido escrita em diferentes épocas para corrigir possíveis distorções feitas pelos homens? Como diabos Deus permite que o Levítico continue afirmando até hoje que homens com comportamento homossexual devem ser punidos com a morte? (Levítico, 18:22 e 20:13).

  9. Tiago Diniz de Almeida says:

    veiO ló não é exemplo pra se seguir na biblia, é uma História que a Biblia conta, agora se todas as histórias contadas na biblia fossem pra ser Mandamentos velho sinseramente, vc me pega ensinamentos de cientistas (que não duvido que estudaram pra saber o que dizer) mais ai vc pega e leva isso como verdade abisoluta, acho eu que essa é a pior das ignorancias, Deus viu davi o cara que mais derramou sangue em israel, e não permitiu que ele fizesse o templo, deixou pra salomão, que tbm não foi exemplo de homem perfeito, cristo Sim Foi. hoje vi um video que dizia que Jesus não explicou sobre ciencia, sobre saúde. Brother, Deus disse para o HOMEM não comer do fruto da arvore em genesis 2, o homem escolheu conhecer o certo e errado, agora fica culpando Deus de Coisas que o homem mesmo fez (guerra, e destruições entre povos e nações).

  10. Bruno O. Barros says:

    Tiago,

    Adão e Eva nunca existiram. Portanto, não teve maçã. Não teve pecado original. Como Deus também não existe, as guerras e o sangue é culpa do próprio homem. Não podemos negar isso.

    O foda é acreditar que Deus existe, ver na Bíblia um Deus que APOIA a guerra e manda matar milhares de pessoas e mesmo assim achar que esse é um deus bacana.

  11. Excelente texto, Bruno. Obrigado pelas referências. É bom ter munição nova para combater a ignorância. Se bem que melhor munição do que a própria Igreja nos oferece é difícil de encontrar.

  12. Artmann says:

    bruno, seu questionamento acerca da bíblia é válido, mas a sua posição mostrou-se um pouquinho preconceituosa, ou precoce. Suas críticas, a princípio, referem-se à uma visão da bíblia como um manual, um amontoado de regras, de histórias que devem ser atribuídas à inspiração divina; e quando ela é vista dessa forma, pode se tornar de fato perigosa, pode gerar posições preconceituosas, de culpa, medo, até mesmo ódio. Então essa atitude, de tomar um livro, aliás uma pequena biblioteca(!) escrita há milhares de anos por e para um povo específico em determinados contextos históricos, políticos, sociais, ambientais e religiosos, como um manual a ser seguido hoje, em uma outra história totalmente diferente me parece ser de fato uma posição bastante equívoca, mas infelizmente, ainda praticada por determinados grupos…
    Por outro lado, todos os povos, todas as civilizações, sociedades, tribos! sempre tiveram suas religiões, rituais, cultos, deuses, e sempre buscaram através de alegorias e da arte o contato com o criador e/ou mantenedor da ordem no universo. e isso é importante sim! Isso é história, é cultura humana, e cada religião e crença deve ser respeitada enquanto não colocar em risco real os direitos humanos e ambientais, q hoje são, aliás, uma busca real muito parecida com aquela pregada por Cristo e por algumas religiões mundo afora.
    A bíblia?! é linda! assustadora, quando interpretada como esse manual, quando usada pra justificar ditaduras, perseguições, guerras e censuras. Mas é genial porque ao longo de muitos séculos, misturando História e ficção, narrou a odisséia de um povo q se considerava o preferido do criador e, culpado por suas fraquezas coletivas, como qualquer sociedade ambiciosa q fracassa, buscou aproximar-se desse deus, seu ideal, comemorou vitórias e chorou desgraças, e registrou muito dessa busca nos livros q hoje chamamos de bíblia sagrada.
    Saramago, mais filósofo e mais humanista do q Weinberg, é mais coerente em suas reflexões sobre a religião. Em O evangelho segundo Jesus Cristo, ele utiliza-se da própria tradição judaico-católica para questioná-la, de forma irônica, e extremamente humana. mas seu livro é uma ficção, mais uma acerca daquela e entre tantas outras…. e todas devem ser respeitadas porque, ao tocarem o coração dos homens, trazem alguma coisa da verdade absoluta q existe onde AINDA não podemos chegar com a lógica e a ciência!

  13. Bruno O. Barros says:

    Artmann,

    Não acho minha visão preconceituosa. Acho ela conceituosa, pois sou um leitor da Bíblia e de textos sobre ela.

    O que você demonstra no seu comentário é que, de fato, a Bíblia foi escrita por homens. Isso eu concordo. A leitura dela deve ser a partir de uma ótica sócio-histórica. Isso também concordo.

    Mas quando a pessoa acha que a Bíblia foi escrita sob iluminação divina, não pode sugerir uma leitura contextual da Bíblia. Contexto é para homens. Deus não tem contexto. Como a própria Bíblia diz: o Deus bíblico é onisciente e onipotente. Ao contextualizar a Bíblia você mata a própria noção de Deus – o que está ótimo pra mim.

  14. Artmann says:

    Ao contextualizar a bíblia, você pode matar a noção de um determinado Deus q se criou naquele e em outro(s) determinado(s) contexto(s). Hoje deparei-me no pc com um texto q comecei a escrever certa vez sobre a noção antropomórfica de Deus. preciso concluir. rs.
    Eu só acho um pouco limitador, ou precoce, afirmar q “a religião é um insulto à dignidade humana…” e etc, mas isso é uma citação de Weinberg, certo?!. Bem, então eu discordo dele. A teologia é também uma ciência, e a exegese da bíblia judaico-cristã, bem como os estudos arqueológicos, antropológicos, histórico-culturais em geral, daquela e de qualquer tradição religiosa de qualquer parte do mundo nos mostram q foram culturas importantes em todos os povos, muitas vezes benéficas, outras vezes terríveis; afinal há cultos e cultos…
    com saramago eu concordo… às vezes lia a bíblia e ficava mais confuso… hoje, com 40 anos, voltei a procurar Deus dentro de mim mesmo e nas outras pessoas… às vzs, acredito q recebo umas inspiraçõezinhas divinas e, se conseguir transformá-las em arte, posso contribuir um pouquinho para um caminho do bem e a minha arte não será considerada uma tradição chata, equivocada e fanática…
    contextualizando certas partes da bíblia, temos ali textos artísticos lindos, que certamente ajudaram as pessoas a pensar melhor no q faziam como hoje acontece a quem lê ou escuta boas obras de arte. será q as músicas de Lennon e os livros do Saramago não são um pouco inspirados por Deus?!?! entende o que quero dizer? na minha opinião, há muito o q se pensar sobre isso… Deus é um conceito maior do q a bíblia, a igreja ou a moral de qualquer época e sociedade, ele nasce da reflexão e por isso não se pode matá-lo… e se matá-lo, ressucitará! hehe.

  15. Bruno O. Barros says:

    Artmann,

    Os livros de Saramago e as músicas de Lennon (ambos ateus) tem muito mais conteúdo moral para inspirar Deus (o deus bíblico) do que o contrário.

    Insisto: deus que se contextualiza não pode ser deus bíblico. Documentalmente, o deus bíblico é onisciente e onipontente. Contextualizá-lo é matá-lo. A noção de divindade é, de fato, um conceito maior que a Bíblia. Tanto é que existem milhares de religiões pelo mundo, cada uma com seu conceito de deus. No entanto, o deus da tradição judaico-cristã é o deus do Velho Testamento e no âmbito exclusivo do cristianismo, temos Jesus. Esse deus específico não pode ser maior do que a Bíblia, pois esta é o seu reflexo.

    Por mais que boa parte dos crentes tentem relativizar Deus, ao relativizá-lo ele vira o resultado de uma ação humana: uma interpretação histórica e contextual. E, como já disse, Deus não é isso.

    Eu também já fui religioso. Já fui católico, umbandista e espírita (nessa ordem). Nunca fui desses religiosos que só diziam ser religiosos. Eu realmente estudava as doutrinas da qual fazia parte. E essa inspiraçõezinhas divinas que eu achava que tinha quando acreditava em Deus ainda acontecem, mas hoje eu sei que elas tem outro nome: criatividade, inspiração, etc.

  16. Artmann says:

    eu concordo com vc na maior parte do q escreveu, Bruno. na verdade Saramago mostrou isso com muita ironia no “Evangelho…”, transformando (ou relendo) o personagem de ficção fantástica q é o Deus da tradição bíblica num vilão cruel q usa e tortura um ser humano, seu filho, pra conquistar o mundo: ou seja, que porra de Deus misericordioso é esse?! é uma reflexão extremamente desconcertante, mas muito válida… pra qm quiser fazê-la; mas o romance do Saramago também mostra q tudo aquilo é uma tradição muito rica, de grande importância do ponto de vista humano! Se não o fosse, não estaríamos aqui “discutindo” (rs) e vc mesmo não teria atribuído o adjetivo “polêmico” ao seu texto.
    Minha questão: o q é uma tradição na vida de um povo e de uma pessoa?! Podemos chegar e dizer pra um senhor evangélico ou pra uma devota da “virgem” maria que o deus da bíblia é uma farsa?! Isso não seria algo parecido com o q os missionários cristãos fizeram com os ameríndios e suas crenças nativas?
    além disso, o conceito de um Deus criador do universo, único ou não, está presente em quase todas as religiões: a diferença é q a versão judaica da divindade globalizou-se, é como o futebol em relação aos outros esportes; mas é sim uma versão histórica, por vezes contraditória, e que na minha opinião ser estudada, discutida, interpretada. O “deus de Israel” não é sempre um bicho papão, e a religiosa do “povo escolhido” é revisada na própria bíblia, em alguns profetas como Oséias e nos evangelhos, onde Cristo valoriza o humilde. E o que dizer da influência que a pregação de Cristo recebe das doutrinas orientais, inclusive budista? o Deus do novo testamento é outro? Talvez…. então, podemos contextualizá-lo, ou pelo menos os diferentes momentos históricos e sociais representados nos textos bíblicos (e então contextualizamos a visão do deus bíblico, q deixa de ser o deus bíblico pra se tornar em parte o deus-personagem refém q serve ao estado, em parte um personagem humano, fabuloso como apresenta saramago, em parte o Deus ideal buscado na experiência humana! Você diz q isso não é possível e usa um conceito bíblico pra justificá-lo. eu digo q é possível, e também acho q a bíblia pode, sim, ser não apenas o objeto mas também o intrumento de sua discussão e revisão histórica, aliada, é claro, a outros documentos e posições.
    A sua crítica inicial em relação à utilização da Bíblia pelas igrejas cristãs atuais é também a minha, mas em certo momento me pareceu q vc nega completamente a existência de um lado bom: uma beleza histórica, cultural, literária da relação daquele povo judeu, e depois europeu e ocidental em geral, com a sua religiosidade, e um valor social q podemos observar nessa história hoje. Como houve legisladores q criaram leis cruéis atribuindo-as a Deus, também houve um judeu q os desafiou (mesmo dizendo q veio para cumpri-las) em nome do mesmo(?!) Deus; como houve inquisidores e papas ditadores, também houve um francisco de assis, e como há padres pedófilos, também há padres engajados em lutas sociais nas favelas, às vezes desafiando o próprio Vaticano pra isso, e mesmo assim inspirados naquilo q acreditam, e na sua visão da bíblia e de Deus.
    Essa discussão é muito legal; talvez eu tenha sido pré-conceituoso ao afirmar q a sua posição o era, mas relendo muitos dos nossos argumentos, ficou essa impressão de q nossas posições não são assim tão distantes. e parafraseando outro autor q já citamos acima, talvez sejamos sonhadores, mas… not is only two!

  17. Bruno O. Barros says:

    Artmann,

    Concordo com boa parte das suas colocações, mas há algumas observações que gostaria de fazer:

    Eu só consigo conceber a Bíblia como sendo um objeto histórico-literário de extrema beleza quando parto do princípio que Deus não existe. Considerar a Bíblia como obra de um deus automaticamente o enquadra como imoral para os padrões atuais. Ou seja… ou esse deus bíblico é um Deus extremamente falho (incapaz de produzir uma moral atemporal e onipresente), ou ele simplesmente nunca existiu e o resultado da Bíblia é um aglomerado de morais de épocas diversas escritas por homens de intenção duvidosa (já que se passavam por um deus inexistente).

    Em outras palavras, é claro que há mensagens boas na Bíblia, mas para que essas mensagens tenham alguma validade, elas precisam estar desvinculadas de outras mensagens (negativas). Para tal, é preciso ver a Bíblia unicamente como um compendium heterogêneo de livros escritos por diferentes seres humanos que achavam estar em contato com um deus que na verdade nunca existiu.

    Considerando que o que existe na Bíblia é uma CONCEPÇÃO de Deus e não um deus propriamente dito, concordo quando você diz que o deus proposto no Novo Testamento é outro. Na verdade, dentro do próprio Velho Testamento, há mais de um deus. O deus do Gênesis é muito diferente do deus do Êxodo, por exemplo. Um é antropomórfico, o outro é uma luz no céu que se manifesta através de uma árvore falante.

    Grande abraço.

  18. Artmann says:

    bem, há qm diga q deus está presente em tudo, em cada átomo ou onda de energia do universo… pq não na bíblia?! acho q poderemos continuar essa conversa, dia desses vou publicar tmb meus textos polêmicos… rs feliz páscoa, meu caro.

  19. bruno says:

    Olá xará,

    Considerando que outrora participastes de religiões definidas, considerando que esteja doutorando, ainda que em matéria específica (refiro-me ao grau de cultura), considerando que, hoje, você não acredita em Deus, se é que chegou a acreditar algum dia, o que exatamente o faz um expert em bíblia e deus para afirmar com tanta categoria sua opnião sobre a mesma e sobre o “deus” por ela descrito? É gentileza de sua parte esclarecer minha dúvida, mas não é obrigado a responder! Você tem o livre-arbítrio… opa, palavrinha mágica na área, é aqui que eu quero chegar. Você demonstra conhecimentos sobre a bíblia, apesar de deixar claro que o seu autor não existe e se existe é contraditório com seu conceito de um deus amável. Pois bem, porque simplesmente não a deixa de ler? jogue-a fora, ou melhor, se tem simples valor literário deixe-a empoeirando na estante. Todos que dizem não acreditar em deus ou na biblia, geralmente demonstra certo conhecimento sobre ela, e para mim, isso é um paradoxo.
    Você cita fatos da bíblia que interpretados na ótica do mundo atual seriam considerados, nas suas palavras, “absolutamente imorais”, o que dizer da narrativa sobre o dilúvio? Nossa, que deus terrível… se enfezou com sua criação e simplesmente a dizimou com sua onipotência criativa… encheu a terra de água, que coisa! e o faz em 40 dias e 40 noites ainda por cima, que é pra dar requintes de crueldade. Concordo que assim fica difícil de acreditar em quem na plenitude dos tempos manda pra terra um homem que resume toda a matança anterior em “amar”, amar o próximo, amar a si mesmo, enfim… o amor é o mandamento final.

    Já lhe passou pela cabeça que você pode estar errado no modo como vê as coisas? Você tem uma opnião sobre o assunto e é enfático, mas não lhe cai dúvida nenhuma? Como poderemos afirmar com toda certeza sobre algo que no mínimo se perde na imensidão dos tempos? Quaisquer das coisas tratadas em cima da bíblia, tem pelo menos 2 mil anos.
    E se você estiver errado? E se eu estiver errado? E se todos nós estivermos errados?

    Se houve um criador de tudo o que vemos, ele não poderia ter feito tudo o que fez? Matar, mandar, destruir, criar de novo, enfim, se ele nos cria, quando poderíamos indagá-lo acerca do modo como fez as coisas? Teria ele nos dado essa autoridade? Para após o “multiplicar da ciência” um doutor questioná-lo, assim como fez Jó?

    Você, Bruno, não vê 2 vertentes que se explicam em, assim como disse o Sandro acima, o tal criador seria soberano em suas decisões e portanto fez tudo o que fez tal como descrito num livro que se queima e se molha, no entanto foi escrito a seu mando, lhe dando estatus de “sagrado” (fato curioso é que apesar de ter sido escrito em pele de animal, argila, papiros e outros meios, ter originais queimados e escritos novamente, antiguissimos, estar nos lares de boa parte dos habitantes desse insólito planeta, é o livro mais lido, mais traduzido, mais distribuído), e a outra seria o livre arbítrio que o tal soberano inquestionável deu à sua criação, nos fazendo pensar que toda a sorte de erros, afinal, é nossa exclusiva culpa mesmo.
    Então, tem-se, de um lado, a soberania inquestionável de um criador onipotente e pai da saberdoria (que nós humanos almejamos ter), e que nesse momento deve estar rindo da minha ignorância retrucando sobre a sua, Bruno, e de outro lado, o livre-arbítrio, que por conceituação etimológica nos dá a permissão para fazermos qualquer coisa (não sem consequências), entendeu meu raciocínio?
    Hoje você diz que deus não existe e o chama de imoral, imaginemos que ele exista, você, Bruno O. Barros está chamando um ser descomunal, criador de tudo o que existe de… IMORAL… isso é livre-arbítrio, agora imaginemos que ele não exista, você está perdendo tempo fazendo campanha para a sua não existência.

    É meu xará, quem de fato está errado? Quem de fato está certo? Eis a questã…
    No aguardo…

  20. Bruno O. Barros says:

    Bruno

    “o que exatamente o faz um expert em bíblia e deus para afirmar com tanta categoria sua opnião sobre a mesma e sobre o “deus” por ela descrito?”

    R: Nunca me disse expert em Bíblia. No entanto, a li, o que basta para gerar uma reflexão crítica.

    “porque simplesmente não a deixa de ler?”

    R: Já deixei. Li uma única vez.

    “o amor é o mandamento final”

    R: Só lamento que seu deus acredita que os fins justificam os meios.

    “E se eu estiver errado?”

    R: Aí, quando eu morrer, chegarei para Deus e direi: não haviam evidências suficiente.

    “Se houve um criador de tudo o que vemos, ele não poderia ter feito tudo o que fez?”

    R: Sim, mas nesse caso ele seria um imenso filho da puta.

    “entendeu meu raciocínio?”

    R: Não, pois seu raciocínio não faz sentido nem possui evidências que possam sustentá-lo.

    “você, Bruno O. Barros está chamando um ser descomunal, criador de tudo o que existe de… IMORAL”

    R: Se ele existisse, seria mesmo imoral, obsceno e filho da puta… como ele não existe, isso é só um post de blog.

  21. bruno says:

    Bruno,

    Sua réplica é característica mesmo, não precisaria assiná-la que qualquer pessoa que já tivesse lido seus textos saberia de quem se trata.

    É impressão ou vejo uma certa agressividade nas suas entrelinhas? Me parece, quero estar redondamente enganado, que em um debate sobre o referido assunto, seus níveis de adrenalina estariam no limite, ou seja, seria o aspirante a doutor uma pessoa prestes a partir para a violência física quando solicitado a responder sobre deus?

    Eu propus uma reflexão sobre o assunto e não acho que a forma que você encontrou para responder foi a mais adequada. Sobre o meu raciocínio, não é novidade que você não tenha entendido, você tem entendimentos bem confusos acerca de várias coisas, design é uma delas, ele faz sentido sim, você é que não quer achar sentido nele.

    Pensei que pudéssemos continuar a debater, assim como fez com o Artmann, mas com tal agressividade, fica impraticável qualquer diálogo… talvez um fight? quem sabe…

  22. bruno says:

    Certo,

    Eu devia ter perguntado se você queria debater sobre o assunto. O post é de outubro de 2009, mas ainda está no ar, então… tudo bem, fica assim, querendo debater com racionalidade e fundamentos sólidos, estamos aí.

  23. Bruno O. Barros says:

    “É impressão ou vejo uma certa agressividade nas suas entrelinhas?”

    R: É impressão sua. Juro.

    “talvez um fight? quem sabe…”

    R: É típico da postura religiosa estar disposto a levar as coisas às últimas consequências. Eu, particularmente, declino a briga. Sou um péssimo lutador :P

  24. bruno says:

    Que houve fera? Belo procedimento o seu, de me calar dessa maneira. Isso você só vai conseguir através desse meio, porque ao vivo o bagulho é loco mano… tamu na área

  25. bruno says:

    Por gentileza, apague o comentário acima, ou como quiser, foi um equívoco total o que eu fiz, nada a ver… mil desculpas

  26. bruno says:

    E outra, Bruno

    Não disse em nenhum momento ser de a ou b, o “típico da postura religiosa estar disposto a levar …” refere-se a mim? Você ainda não sabe se sou membro de alguma religião e se tirou esta conclusão porque não pensou também que eu pudesse ser um lutador? Pois é típico da postura de um lutador de artes marciais identificar sinais de conflito na comunicação do homem, e, como sou lutador de artes marciais (agora você sabe), percebo muita agressividade em suas letras, caro colega, como estilo literário, tudo bem.

  27. bruno says:

    deixa pra lá… você não vale a pena.

  28. Lincoln says:

    Acho que quem apela pro discurso mítico de “Deus é SOBERANO, blablabla, um dia vocês vão arder no mármore do inferno, blablabla” não tem que receber uma boa resposta racional.

    Reza o básico da filosofia que quando se parte pro campo do sobrenatural, todos os argumentos lógicos se perdem, afinal, o campo das idéias é subjetivo o suficiente para criar um Deus, um céu, um inferno…

    Mas se alguém quiser debater história, historiografia, influências da teologia na sociedade, aí a gente dá um jeito! (;

  29. Camila says:

    Olá

    Estava lendo algumas passagens. Creio que o que você deve chamar de força que fez o Big Ben acontecer vai te levar devolta para o caminho reto. Mas ninguém é obrigada acreditar ou desacreditar. O Brasil é um país livre, democrata. O importante é o respeito. Sou cristã mas respeito um pai de santo, e desejo que ele faça o mesmo indenpendente do que nós cremos.
    Assim como devo também te respeitar no que escreveu, mas, gostaria que levasse em consideração que se em algum momento da sua vida você achou que Deus o esqueceu, vim por meio desta lhe dizer que não, e que logo mais precisara de Sua ajuda; mas se você não acreditar também lhe respeitarei.

    Tenha uma ótima semana
    Camila

  30. Volnei says:

    Amigos,
    Sou Criacionista e cristão, tenho minha fé em Deus e tenho minha vida transformada por ele, não creio que o mundo veio do nada, de uma explosão ou do caus e vai acabar numa explosão novamente.
    Para aqueles que creem em Deus o viver faz sentido, para os que não creem em nada o que eu acho muito implovável o que adianta ser uma pessoa honesta e fiel a principios se tudo vai acabar em cinzas mais cedo ou mais tarde? Não consigo ver coerência na incredulidade, apenas evidência deque o mal existe e que no final muitos estarão do seu lado por livre e expontânea escolha e somente estarão ao lado de Deus quem assim o desejar…ninguém vai morar na eternidade com Deus contrariado.

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