Acreditar em Deus e achar que ele tem alguma coisa a ver com a Bíblia é associá-lo a uma série de genocídios em massa, estupros e outros tipos de perversões. O número de pessoas assassinadas por Deus no Velho Testamento é de causar inveja a muito super-vilão por aí, e não podemos ignorar que muitas dessas pessoas eram inocentes. Aí eu fico me perguntando, como diabos alguém ainda diz que a Bíblia pode servir como fonte de moralidade para alguma coisa? Por que há quem justifique suas escolhas dizendo que “a Bíblia manda”?
Basta uma pesquisa informal com familiares, amigos e conhecidos para atestar que a popularidade da Bíblia não é das maiores. Quase ninguém a lê. E das pessoas que o fazem, podemos identificar duas diferentes categorias de leitores: a) crentes (no sentido lato da palavra) que se apegam às passagens clássicas, geralmente do Novo Testamento; b) estudiosos, curiosos e críticos dispostos a encarar uma leitura analítica do livro. Essa segunda categoria, por sua vez, comporta uma variedade de tipos, desde a adolescente em crise existencial após ter sido acariciada por sua melhor amiga depois daquela noite regada à vinho, até o ateu que dedica sua vida a buscar contradições nos textos e o pastor mal intencionado que estuda o melhor método de manipular seu público.
Semana passada, José Saramago — o meu bezerro de ouro — disse que “a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana.” Dentro dessa lógica e levando em conta que a Bíblia é o livro de cabeceira de todo e qualquer cristão, o físico Steven Weinberg conclui tal reflexão afirmando que “a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas ruins fazendo coisas ruins. Mas, para que as pessoas boas façam coisas ruins, é preciso a religião.” Ambos homens são vencedores do prêmio Nobel, cada um na sua competência. Ambos identificam que a moralidade contida na Bíblia causa muito mais mal do que bem. E ambos acreditam que basta ler a Bíblia para se dar conta de que há algo muito errado ali. Nas palavras de Saramago, “lê a Bíblia e perde a fé.”
Eu sei que nesse exato momento tem alguém lendo esse texto e dizendo “como é idiota o autor desse site, todo mundo sabe que não devemos interpretar a Bíblia ao pé-da-letra, há muita alegoria e simbologia entre os livros bíblicos.” Sem dúvida, essa é a maior desculpa dada pelos religiosos que vêem a Bíblia como representante da palavra de Deus. É uma desculpa que, na verdade, subverte o famoso dizer de que Deus escreve certo em linhas tortas; se a Bíblia for mesmo alegórica, temos um Deus que escreve torto em linhas certas. Além disso, quais são os critérios que determinam o que é literal e o que é alegórico na Bíblia? Quem decide o que deve ser seguido literalmente e o que deve ser reinterpretado? A Igreja? O Governo? O pastor da esquina? Seu professor de religião? A resposta é simples: já que Deus foi preguiçoso e enigmático o suficiente para não deixar um manualzinho ensinando como ler seu bagunçado e enfadonho livro, quem acaba decidindo o que é alegórico e o que é literal é a conveniência de quem lê. Os homofóbicos, por exemplo, interpretam literalmente que Deus vê o homossexualismo como uma abominação (Levítico, capítulo 18, versículo 22), mas interpretam metaforicamente que Ló tenha feito sexo e engravidado suas duas filhas (Gênesis, capítulo 19, versículos 30 ao 38).
Portanto, a Bíblia acaba sendo interpretada como convém ao leitor — o que é extremamente perigoso. E se se você não lê a Bíblia, uma outra pessoa vai interpretá-la por você — o que é mais perigoso ainda! Eu estou convencido de que, de modo geral, a moral bíblica é porca e destrutiva. E é uma pena que o superestimado Jesus manche a sua imagem ao confirmar e apoiar os ensinamentos sanguinários do Velho Testamento (Mateus, capítulo 5, versículo 17). É muito comum que as pessoas citem as melhores passagens de Jesus e que interpretem essas passagens literalmente. Já as passagens onde Jesus revela-se tão vingativo quanto seu Pai, acabam sendo deixadas de lado e interpretadas como alegorias (Mateus, capítulo 5, versículo 27 ao 32). No entanto, seria no mínimo estranho que, em seu Sermão da Montanha, Jesus misturasse orientações objetivas com alegorias aterrorizantes sem qualquer critério. Para alguém que falava tão bem, tratar-se-ia de uma estratégia retórica paupérrima.
Pra quem sabe inglês, recomendo a leitura online da Skeptic’s Annotated Bible, cujo site promove debates interessantes entre cientistas e cristãos em torno de questões controversas da Bíblia. No Brasil, temos a Bíblia do Cético Comentada, que é bastante incompleta, mas é uma solução para os monoglotas.
Nunca tive dúvidas de que existem diversas interpretações da Bíblia e saber exatamente o que é literal e o que é alegórico não é tarefa fácil…E quem sabe? É por esses e outros motivos que não sou agnóstica, ateísta, católica, evangélica, entre outras…
O maior perigo mesmo? É quando você não lê a Bíblia e permite que os outros a interpretem por você…e isso se chama religião…no frigir dos ovos…
É impressionante o fato de um livro como esse ter tantas “alegorias” onde ele deveria passar mensagens claras e objetivas.
É difícil acreditar em algo que parece tão contraditório.
Não concordo em gênero, número e grau (se é que grau flexiona) com o texto acima, e estou no meu direito, assim como vc de escrever tanta baboseira, acho que todos os que tentam reduzir a Bíblia a um livro “comum” esquece que Deus é SOBERANO e faz o que quiser quando e como e não deve satisfação para absolutamente ninguém. Se existe um “deus” e tudo o que existe foi criado por esse “deus”, então quem somos nós para dizer a ou b contra ele? Esse é o ponto. O que Ele fez ou deixou de fazer é problema dele, talvez nunca saberemos os motivos. E quer saber mesmo? desencana brou, vc está fazendo o seu papel escrevendo dessa forma. Um dia todos, TODOS, saberemos a verdade e aí os que se puseram contra Ele e a sua Verdade sentirão na “pele” que o jogo acabou…
“Um dia…um dia saberemos a verdade” Fala sério! Então, se chegar esse dia, até lá temos todo o direito discutir e questionar TUDO QUE LÊMOS, VIVEMOS E ETC…e isso não é BABOSEIRA!
Alexandra… desencana, pô parece que estamos numa guerra! Estamos?
Alôôôôôôôôô ? Que GUERRA?Quem és tu? Há um limite de comentários aqui?
Tô na paz browwwwwwwwww……….
Peace!!!!!!