“Selma?” “Oi.” “Dalber acabou de me telefonar para dizer que está num motel com uma puta torta.” “Como é?” “Também não entendi direito, ele estava muito agoniado.” Selma se levantou rápido. “Mas o que você disse? Dalber num motel?” “É.” “E Marta?” “Pelo que entendi, não.” “Não o quê?” “Ela não estava lá.” “E que diabos Dalber estava fazendo num motel.” “Pô, o que você acha?”, eu disse pegando a chave do carro. “Caralho, você sabia de alguma coisa?” “Não.” “Pra onde você tá indo?” “O cara acabou de me ligar, tenho que ir lá.” “Pera, pra onde?” “Pro motel, pô! Ele tá desesperado.” “O que você vai fazer lá?” “Não sei ainda, mas não posso deixar ele na mão!” “Na mão? Ele tá lá com uma mulher. Pra quê ele precisa de você?” “Como assim? Se fosse você na situação dele, ia querer que eu fosse!” “Espera!” “O que foi, Selma? Diz!” “Merda, do nada Dalber liga pra você pedindo pra dar um pulo no motel e você vai?” Fiquei quieto por uns segundos, respirei fundo e disse “Você tá doida? Nosso amigo tá com um cadáver num quarto de motel e você fica aí reclamando porque eu estou indo ajudar o cara?” “Cadáver?” “Você tá surda?” “Que história é essa de cadáver?” “Porra, eu disse que Dalber acabou de me telefonar dizendo que está com uma puta morta num motel!” “Você não tinha dito isso…” “Claro que disse!” “Mas você disse puta torta.” “Torta?” “Torta.” “Você tá louca! Eu disse morta.” “Claro que não, eu ouvi bem: ‘puta torta’.” “E que porra seria uma puta torta, Selma?” “E eu sei… achei estranho na hora, mas presumi que era uma mulher feia.” “Do nada.” “Do nada, não. Uma pessoa torta é uma pessoa feia.” “A grande maioria das pessoas não são simétricas, Selma. Olhe pro seu próprio nariz antes de falar dos outros.” “Que porra tem meu nariz?” “Nada, Selma.” “Como assim, nada?” “Tô indo lá.” “Pera! Que história é essa de falar que meu nariz é torto agora?” Bati a porta na cara dela. Por pouco não acertei o nariz.
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Na casca do ovoRecomendo
Após a leitura do texto minha percepção, que diga-se de passagem anda sempre ligado no modo “feminista”, me fez enxergar que:
- para o homem, o “trágico” da ocorrência era a mulher morta (ou torta, afinal pagar pra pegar mulher feia é dose).. o fato do amigo está no motel com uma puta passou desapercebido pela classificação “tem alguma coisa errada nessa situação”… ou seja…
Trair = algo absolutamente normal
- para mulher o absurdo é o amigo traindo a mulher com uma puta! e ainda por cima torta! e se ela morreu…. BEM FEITO!!
Pô, você chegou no ponto central da questão. O fato é que nosso ouvido ouve sempre com um filtro de subjetividade ligado.
Concordo. Numa situação dessas, se morreu eu acho é pouco!!
Adoro os comentários de Kelma.
Vamos combinar que a Selma pergunta demais!!!!!! E todo esse “lenga-lenga”, todas essas perguntas também demonstram que ela não tá muito preocupada com a “urgência da puta”!
A puta que se dane…essa e a opinião da Selma e de muitas mulheres! rsrsrs